Escola da Vida

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Quando minha filha completou dois anos, decidimos iniciar sua jornada escolar. A maratona para visitar escolas,  por si só,  já é exaustiva, mas encontramos uma com a estrutura que parecia interessante. Matrícula realizada, lá fomos nós para o primeiro dia. Dela e meu! 

No portão, uma fila de mães com feição angustiada. Algumas, mais descoladas, contavam a experiência com o filho mais velho, o sobrinho etc, sempre com muitos elogios à escola. “Que bom”, pensei, “parece que acertei na escolha”. Nesse primeiro momento, a criança ficaria apenas duas horas, para conhecer a escola. Minha filha pareceu animada e curiosa com o ambiente. Enquanto outras crianças choravam, ela logo se familiarizou e até se mostrou prestativa em consolar alguns de seus novos coleguinhas.

Quando tive que ir embora, para dar espaço à minha filha, a auto cobrança feroz apareceu, repetindo “péssima mãe, péssima mãe”, com uma trilha sonora sinistra ao fundo – o choro das outras crianças que ainda não estavam se sentindo seguras na escola. Fui para casa me sentindo um pouco morta por dentro. As lágrimas saíam, sem que pudesse evitá-las.

Em resumo, essa escola não foi a mais adequada para minha filha, pois eram muito rígidos, gerando vários pontos de discordância. Encontrei, logo em seguida, um celeiro amoroso, a dez minutos da minha casa, que a assistia em tudo que precisava como um ninho amoroso, o pulso e o amor caminhando juntos, esse equilíbrio ressoa em meu coração. A experiência com a primeira escola gerou frustração, mas o que recebemos foi muito mais abençoado. Minha filha se adaptou rapidamente, ela ama a escola e pede para ir até aos domingos.

Há algo que os anjos sempre sussurram em meus ouvidos: “se até o que dá errado lhe favorece, então o que pode dar errado para você?”. Quando dizem isso, me explicam sobre o Amor Divino, sobre o quanto somos guiados, mesmo sem enxergar.

Pensei que, feita essa adaptação, seria, enfim, a conclusão desse duro aprendizado de adaptação na escola, mas era só o começo de uma jornada. Outras mudanças vieram – inclusive, de cidade. Estou em um lugar novo, realizando o sonho de viver no interior, com mais natureza ao redor, mais lazer, segurança e qualidade de vida.

Aqui, há outras adaptações: escola nova, cidade nova, atividades novas, desafios novos. Equilibrar essas bandejas sempre vai exigir bastante exercício de flexibilidade, com uma boa dose de bom humor. E todas essas adaptações me fizeram pensar em como estamos constantemente nos integrando a novas escolas, assim como nossas crianças. É um desafio novo que se apresenta, é um relacionamento que precisamos aprender a lidar…

São tobogãs de emoções, muitas vezes sem a piscina ou o tanque de areia para suavizar sua chegada no final do percurso. Dar de cara com o chão acontece o tempo todo e não dá para chorar e ficar ali, esperando o consolo; tem que agitar, limpar o rosto e seguir em frente, pois a rotina é cronometrada.

As pessoas me perguntam nas sessões de terapia como chegar até o momento em que tudo finalmente fica calmo, seguro, confortável. Sempre proponho um olhar passo-a-passo para esse sentimento de viver o final do filme, o tal “felizes para sempre”. Como professora de escolinha, pego na mão, mostro as letrinhas do alfabeto e dou espaço para a pessoa juntar, no seu tempo, até fazer sentido. O que posso responder agora é que essa vontade de ter tudo calmo-seguro-confortável-felizes-para-sempre é um desejo de voltar para o útero materno. Apesar de todos os sentimentos que o bebê capta na sua gestação, esse é o lugar mais seguro que todos nós já conhecemos.

Na minha jornada, já tentei inúmeras vezes voltar para esse lugar seguro, até constatar que ele já está comigo – é a minha conexão com Deus, com a Fonte de Amor que está dentro de mim. Eu aprendi uma boa parte disso nas adaptações escolares. Essa integração me obrigou a olhar para pontos que eu precisava flexibilizar, medos com os quais precisava lidar, aprendizados que eu precisava encarar com fé e determinação.

Não vamos ter garantia de nada – se dá certo, se não dá. Talvez tenhamos que mudar de escola ou de método de aprendizado. Vamos mudar de casa, de emprego, de relacionamento. Vamos nos integrar, re-integrar e adaptar quantas vezes forem preciso.

O melhor de tudo é que a escola da vida tem inúmeras oportunidades de programas de aprendizado. Você só tem que encontrar sua forma de aprender, que é justamente, como escolhe olhar a vida. Então, trabalhe sua mente, faça terapia, estude, se conheça. E conte comigo nessa jornada!

Ah, e só para concluir: sobre a voz dentro de mim que dizia “péssima mãe, péssima mãe”, já encontrei uma saída. Hoje essa voz diz “mãe comum, mãe comum e está tudo bem”. Como fiz isso? Terapia, meu amor, muitaa terapiaaa.
Gravei até um áudio sobre a mãe comum. Sugiro a reflexão sobre isso – seja você mãe ou não… E não se esqueça: aproveite a escola!

 

Por Patricia Dias
Terapeuta e Treinadora – facilitadora de uma vida mais harmoniosa
www.conexaodosanjos.com.br

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